O drone de James Tenney

Para explicar a alguém o que significa o termo Drone em música (da raiz proto-indo-europeia *dʰer-, pelo sânscrito “dhran” = zumbir, murmurar), esta intrigante composição de James Tenney interpretada pelo guitarrista canadense Adrian Verdejo é o exemplo perfeito.

Ela está repleta de quintas (reais e virtuais) que preenchem tanto o espaço sonoro quanto as σπλάγχνα (em grego: “splanchna” = vísceras, entranhas; ou afetos, sentimentos) de quem escuta, rodeadas ainda por terças e por miríades de pequenos atritos harmônicos, gravitando ao redor, que penduram-se perigosamente, à beira de desintegrar o conjunto. O disco — no qual cada faixa é mais interessante e provocativa do que a outra — pode ser escutado na íntegra no Bandcamp:

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Update de repertório

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Então estamos assim. O repertório que, por estes dias, estou conseguindo tocar razoavelmente ao contrabaixo é o seguinte:

– Bach – Contraponto I da Arte da Fuga, BWV 1080

– Milt Jackson (com Oscar Peterson e  Ray Brown) – “Reunion blues”

– Morphine – “Buena”

– Pete Townsend – “Face the face”

– Amleto Barboni – “I’m a hustler” (blues)

– Steve Ray Vaughan – “Pride and joy” (blues)

– Amleto Barboni – “Fast as you can be” (blues)

– Charlie Byrd, Barney Kessel, Herb Ellis – “Cow cow boogie” (blues)

– Gershwin (versão Victor Assis Brasil) – “Summertime”

– Men at Work – “Be good Johnny”

– Kaiserchiefs – “Never miss a beat”

– Rush – “Tom  Sawyer”

– João Bosco (versão e arr. Céu) – “O ronco da cuíca”

– Céu – “África/Rainha”

– Afro-Celt Soundsystem – “Lovers of light”

– Duran Duran – “Too much information”

– Seal – “Crazy”

– Ed Motta – “Manuel”

Precisando de polimento:

– Bach – Ricercare a 6 da Oferenda Musical, BWV 1079

– Metallica – “Fuel”

– Police – “Synchronicity”

– Rush – “The big money”

– Yes – “Owner of a lonely heart”

– Celso Pixinga – “Paulista blues”

E… para estudar muito ainda:

– As versões do Zimbo Trio para Milton Nascimento (1984/1994)

– Banda Black Rio – Do disco “Gafieira universal”

– Stanley Clarke – “School days”

– Stanley Clarke – “Hot fun”

– Grand Funk Railkroad – Do disco “E Pluribus Funk”

Uma seleção bem eclética. O que todas essas músicas têm em comum são linhas de baixo com personalidade própria. O que é um desafio e tanto para um amador tardio no instrumento, como eu.

O que mais preciso agora é manter a regularidade. Arranjar tempo, de qualquer jeito, para treinar. Não importa como. Colocar como prioridade. Regularidade é tudo no estudo da música. E é muito, mas MUITO legal quando a gente sente que as músicas começam a sair bem. Uma emoção muito especial. Poucas coisas se lhe comparam.

História viva do jazz em SP: Dois grandes shows de 2011

Destaco aqui os dois momentos de 2011 em que tivemos o privilégio de assistir, em São Paulo, a nada menos que a história viva do jazz: os shows do saxofonista Archie Shepp no Sesc Pompéia (semana Jazz na Fábrica) em 19/05 e o show do contrabaixista Ron Carter no Sesc Pinheiros em 22/10.

Ron Carter apresentou-se em quarteto, juntamente com a excepcional pianista Irene Rosnes, o baterista Payton Crossley e o consagrado percussionista Rolando Morales-Matos. Tocaram, sem interrupção entre as peças, um repertório baseado no disco Dear Miles (2007), em que não faltaram standards acrescidos de alguns temas da música brasileira.

Um momento do show de 22/10/11. Foto minha.

Carter estava em plena forma, com seu estilo que se vale muito das cordas duplas e dos portamentos, tal como se pode escutar em discos como The Bass and I (1997) e Eight Plus (2003).

(Ao lado: o programa do concerto.)

Carter — que, aos 74 anos de idade (por ocasião do concerto) já participou, estima-se, de cerca de 2500 álbuns — tocou com Miles Davis nos anos 60 e foi professor emérito do Departamento de Música do City College of New York. Não deixa de ser bastante adequado ter Carter como grande convidado para marcar a inauguração da exposição Queremos Miles (sobre a qual veja o próximo post). Ali podemos rever, em vídeo, áudio e foto, vários momentos do início de sua carreira com Miles Davis, no histórico “segundo grande quinteto”.

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Archie Shepp tocou, aos 74 anos de idade (mesma idade de Ron Carter), diante das duas platéias do teatro do Sesc Pompéia, com indiscutível autoridade e presença cênica um programa solidamente inserido em sua visão musical mais recente.

Um momento do show de 29/05/11. Foto minha.

O programa do concerto.

Em termos musicais, o show foi razoavelmente conservador, em vez de vanguardista (algo que Shepp também já foi): não rompeu com as tradições das baladas e do blues, também sem deixar de incluir seus temas e letras socialmente engajados.

Foto minha.

Foto minha.

Shepp, acompanhado por três veteranos — o agitado Steve McCraven à bateria, o simpaticíssimo Darryl Hall (que sempre se preocupava em tocar com o contrabaixo voltado alternadamente para as as duas platéias do teatro) e Tom McClung ao piano — também apresentou-se em várias peças como cantor.