Viagens no som e na memória: Marlos Nobre

(In memoriam Sebastião Salim Bezerra, 1924-2009)

Essas maravilhosas redescobertas e conexões no tempo e no espaço que o Facebook, o Youtube e outras ferramentas da Internet possibilitam… Tive a agradabilíssima surpresa de encontrar no Facebook a página do maestro Marlos Nobre, na qual ele compartilha esta gravação. Estivemos, meu pai e eu, na primeira audição mundial deste Concerto para Dois Violões e Orquestra, no dia 10 de setembro de 1998, no Teatro São Pedro, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Esta gravação é precisamente daquele dia. Os solistas eram Sérgio e Odair Assad. Mais abaixo, vemos o programa daquele concerto.

Programa_Osesp_1998_CapaPrograma_Osesp_1998_Pagina

ssb_solo_circa_anos60Aquele foi um dos últimos concertos a que fui junto com meu pai, antes de a doença começar a miná-lo lentamente. Nós dois gostávamos de tudo que girasse em torno do violão, desde que eu era garoto. Ele, indubitavelmente, foi quem me transmitiu o amor pelo instrumento, e pela música em geral. E também acompanhávamos a evolução da obra do mestre pernambucano havia décadas. A música de Marlos Nobre se transforma ao longo do tempo, navegando entre dois grandes pólos. (O catálogo completo das obras está no site do compositor.)

Marlos_Nobre_Momentos_IIMosaicoDe um lado, há as linguagens mais experimentais, atonais, dodecafônicas e eletroacústicas — mais presentes em obras como os ciclos “Momentos”, “Sonâncias”, o “Mosaico” (1970) e “Biosfera” (1970) para orquestra, o “Rythmetron” para percussão, as “Convergências” para orquestra, o Concerto Op. 51 para violão e orquestra.

Entre os muitos trabalhos acadêmicos que foram escritos sobre a música de MN, destaco o artigo de Paulo de Tarso Salles sobre o “Momentos I” para violão, publicado na revista Per Musi da UFMG em 2003.

Em segundo lugar, há a linguagem-síntese em espírito mais, digamos, “bartokiano”, com raízes mais firmemente fincadas nas tradições musicais brasileiras — característica de obras como os “Desafios” (aliás, creio que meu tio Olafs Alnis tocou o “Desafio I” para viola e orquestra de cordas, no início dos anos 70), a cantata “Unkrinmakrinrkin” para soprano, piano e sopros, o “Cancioneiro de Lampião”, os “Três coros de Natal” e o “Agô-Lonã” para coro, os “Ciclos Nordestinos”, etc.

O Concerto para dois violões e orquestra Opus 82 transita, em seus quatro movimentos, entre essa polaridade linguística, como se pode constatar nos outros movimentos do concerto, oriundos da mesma estréia mundial de 1998, que também estão no Youtube:

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