Electronic Music Review

EMR5Uma preciosidade é o que nos traz o Ur-sítio UbuWeb (obstinado paladino dos bons sons, dos bons glifos & tipos, dos bons grafismos, das boas poéticas & intersemioses). Nada menos que os primeiros sete números (1967-1968) da histórica revista Electronic Music Review da década de 60, escaneados e prontos para serem baixados.

Ali podemos ler artigos de pioneiros da música eletroacústica mais “cerebral” — compositores-pensadores como Karlheinz Stockhausen (com um texto breve sobre sua composição Mixtur, de 1964) e Henri Pousseur (com o clássico “Calculation and imagination in electronic music”, onde ele se posiciona criticamente em relação a Stockhausen) — bem como autores mais free, como Gordon Mumma, e mais pop, como Walter Carlos, entre muitos outros.

A revista visava atingir um público mais amplo, por exemplo, do que a abstrata Die Reihe (veja aqui o seu número 1) ou a Perspectives of New Music. O editor técnico da publicação era ninguém menos que Robert Moog… O que parece uma escolha mais do que apropriada.

É a oportunidade de um olhar através do tempo para um período singular na história da música contemporânea. O final dos anos 60 é significativo por corresponder a uma fase de internacionalização e popularização da música eletroacústica, que já então deixava de ser uma criação quase exclusivamente alemã e francesa. Experimentos começavam a ser feitos em várias partes do mundo (inclusive no Brasil). Livros mais populares e didáticos sobre aquela nova forma de organização dos sons começavam a aparecer — como o Composing with tape recorders: Musique concrète for beginners, de Terence Dwyer (1971, disponível via Monoskop, outro “meta-sítio” tão incrível quanto o UbuWeb) — mais acessíveis do que os grandes e polêmicos escritos teóricos de Stockhausen e Boulez. Sem falar nas correntes estéticas que estouravam naquele momento — música aleatória, happening, free jazz — e que convidavam a uma cross-fertilization com a eletroacústica — correntes com as quais, aliás, aqueles dois gigantes também flertaram.

Em tempo: os endereços da EMR e do livro de Dwyer são dicas compartilhadas pelo/a incansável Hermann Helmholtz do Facebook.

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