Exposição sobre Paulo Moura no Sesc Pompéia

Capa do programa da exposiçãoUma exposição memorável e muito bonita está em cartaz no SESC Pompéia, em São Paulo, focalizando a vida e obra do grande saxofonista Paulo Moura, que durante uma carreira extraordinariamente rica, transitou com autoridade entre a música erudita, a música instrumental contemporânea, a música latino-america de raiz, o samba de gafieira, o choro… A exposição traz vários dos instrumentos usados pelo instrumentista, bem como alguns de coleção (oriundos de suas viagens), fotografias, memorabilia variada, anotações manuscritas, etc.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção é o número de partituras e livros pertencentes ao maestro, especialmente de música contemporânea ou de ‘vanguarda’: Krzysztof Penderecki, Karlheinz Stockhausen, Hans-Joachim Koellreutter, Arnold Schoenberg, Anton Webern… Ele lia e refletia muito sobre as estéticas contemporâneas mais avançadas. Os painéis reproduzindo anotações de Moura em ponto grande tratam de temas como a dialética entre som e silêncio, e parecem revelar a influência de Koellreutter.

Tive o privilégio de assistir o duo Paulo Moura-Clara Sverner, sax e piano, em concerto no Masp, no final dos anos 80 ou início dos anos 90. Recordo-me perfeitamente que o programa daquela noite contava com mais composições ditas ‘clássicas’ do que ‘populares’. Foi tocada uma peça de Debussy — a Rapsódia para sax alto e orquestra, numa redução para piano. Na exposição, os duos de Moura com Sverner, Yamandu e outros são devidamente lembrados, assim como sua particpação no lendário projeto ConSerTão, com Artur Moreira Lima, Heraldo do Monte e Elomar.

A exposição fica em cartaz até dia 5 de setembro de 2012.